Manifesto Chat Noir / Ariadne

A Europa tem de ser capaz de ver, compreender e decidir por si própria.

A Inteligência Artificial será uma das tecnologias determinantes deste século. Precisamente por isso, a Europa não pode aceitar uma dependência estratégica permanente de infraestruturas, modelos, dados e sistemas que não controla.

Soberania tecnológica não significa isolamento. Significa possuir capacidade própria suficiente para continuar a operar, compreender ameaças e tomar decisões quando depender de terceiros deixa de ser aceitável. Ariadne parte desse princípio.

Princípios

Dados, capacidade computacional e inteligência operacional têm de formar um único sistema.

01 · Autonomia

Capacidade própria, sem isolamento

A Europa deve usar a melhor tecnologia disponível, mas precisa de alternativas locais para os sistemas que se tornem estratégicos para Estados, empresas e infraestruturas críticas.

02 · Dados

Ver antes de tentar prever

Modelos poderosos não substituem informação. O valor nasce da integração de fontes, da proveniência, das relações entre entidades e da capacidade de compreender acontecimentos no espaço e no tempo.

03 · Operações

Da análise à decisão

A próxima geração de plataformas não deve limitar-se a responder a perguntas. Deve acompanhar realidades complexas, identificar mudanças, explicar evidência e apoiar decisões operacionais rastreáveis.

O objectivo não é copiar a Palantir. É perceber porque funcionou e tentar construir a etapa seguinte.

Ariadne pretende evoluir para uma plataforma europeia de inteligência operacional, dados e Inteligência Artificial que possa funcionar como serviço, num ambiente dedicado ou integralmente nas instalações do cliente, incluindo contextos soberanos e isolados.

Não uma cópia da Palantir. Uma infraestrutura europeia para transformar dados dispersos em conhecimento operacional.

A comparação com a Palantir é útil porque explica a categoria de produto: integração de dados, objectos operacionais, análise, fluxos de trabalho e Inteligência Artificial. A arquitectura proposta para a Ariadne é diferente por desenho: modelos substituíveis, implantação soberana, proveniência como propriedade nativa e capacidade para operar offline ou em isolamento físico (air-gap).

01 · Fontes

Observação

Satélites, aeronaves, navios, IoT, CCTV autorizado, sistemas empresariais, dados abertos, parceiros e fontes governamentais.

02 · Malha de dados

Ingestão

Conectores, gateways periféricos, Kafka, processamento em lote e em fluxo, esquemas, validação e armazenamento bruto imutável.

03 · Ontologia

Realidade comum

Entidades, eventos, relações, espaço, tempo, grau de confiança, proveniência, classificação e permissões.

04 · Inteligência

IA e agentes

Modelos locais, OpenAI/Anthropic quando permitido, RAG, ferramentas, investigação, previsão e fluxos de trabalho.

05 · Operações

Ariadne

Globo operacional, dossiers, alertas, replay, correlação, decisões, auditoria e acções humanas controladas.

Princípio: cada camada pode evoluir sem obrigar a reconstruir as restantes.Implantação: SaaS · Dedicado · Soberano · Nas instalações · Isolado

O que aproveitamos da categoria criada pela Palantir

A ideia de que dados só se tornam realmente úteis quando deixam de ser tabelas isoladas e passam a representar objectos, eventos, relações e acções operacionais.

A necessidade de ligar análise, fluxos de trabalho e decisão no mesmo ambiente, preservando controlo de acesso e auditabilidade.

Onde a Ariadne deve ser diferente

IA local como capacidade de primeira classe; gateway de modelos agnóstico; bitemporalidade; proveniência ponta a ponta; processamento periférico e sensores como extensão natural; possibilidade real de funcionamento desligado de fornecedores externos.

O activo estratégico não será um modelo específico. Será a combinação entre dados, ontologia, conectores, histórico, segurança, fluxos de trabalho e conhecimento operacional acumulado.

A primeira infraestrutura tem de existir antes de existir uma empresa de escala.

Ariadne já prova o conceito operacional. A etapa seguinte é transformar essa capacidade numa plataforma com computação própria, dados próprios, ontologia, streaming, agentes de IA, segurança e implantação soberana. O primeiro investimento não serve para comprar uma sala cheia de GPUs. Serve para construir uma capacidade completa que funcione.

Inferência local8× B300Um nó inicial de IA de grande escala, com cerca de 2,3 TB de HBM agregada.
Dados250–500 TBArmazenamento de objectos inicial, histórico, dados brutos, Parquet/Iceberg, cópias de segurança e dossiers.
Rede100/200 GbEMalha de dados para ingestão, armazenamento, processamento e expansão posterior.
Equipa nuclear9–10Engenharia de plataforma, dados, IA, edge, segurança, produto e operações.

O objectivo da Fase 1

Construir um sistema suficientemente robusto para uso interno, demonstrações sérias e um piloto de um mês num departamento de um governo ou numa grande empresa, sem fingir que já existe uma infraestrutura global multi-tenant.

  • Integração batch e streaming de fontes abertas, comerciais, empresariais e governamentais.
  • Ontology/knowledge layer com entidades, eventos, relações, proveniência e regras de acesso.
  • Kimi K3 ou modelo de pesos abertos equivalente em infraestrutura local, complementado por OpenAI e Anthropic através de encaminhamento por políticas.
  • Implantação dedicada, nas instalações do cliente e preparada desde o início para ambientes fisicamente isolados (air-gapped).
  • Auditoria imutável e controlo de acesso capazes de sobreviver a uma due diligence governamental.

Comprar apenas depois de medir

A primeira decisão técnica séria é testar o workload real da Ariadne em hardware B300/MI355X alugado e medir contexto, latência, throughput e concorrência.

Se um único nó de 8 GPUs for suficiente para a fase inicial, não há razão para imobilizar três milhões de euros em aceleradores que ficarão parcialmente vazios.

Para começar de forma séria, procuro uma capacidade de investimento inicial de €15 milhões.

É uma ordem de grandeza deliberadamente superior ao custo do primeiro servidor. O risco principal não é comprar hardware; é ficar sem capital a meio da construção da plataforma, da contratação da equipa, dos pilotos, da aquisição de dados e da criação da infraestrutura de segurança.

€15M

Capital inicial indicativo para financiar a fundação técnica, cerca de dois anos de execução, primeiros pilotos e margem suficiente para corrigir escolhas erradas. Num projecto desta natureza, errar uma arquitectura e ter capital para a substituir é preferível a acertar numa apresentação e ficar sem dinheiro para a operar.

Computação, centro de dados, armazenamento, rede e redundância€3,2 M
Equipa técnica e operacional, 24 meses€4,2 M
Dados comerciais, imagens e parceiros€2,0 M
Segurança, conformidade, isolamento físico e reforço de segurança€1,4 M
Edge e primeiros protótipos de sensores€1,0 M
Pilotos, integração, jurídico e certificação€0,8 M
Reserva de execução e fundo de maneio€2,4 M

OPEX é parte da infraestrutura

Servidores de IA consomem energia, o armazenamento cresce, os dados têm licenças, a segurança exige operações permanentes e uma equipa deste nível não pode ser construída com trabalho ocasional.

Na fase inicial, um custo operacional recorrente total na ordem de €150 mil a €300 mil por mês é plausível. Na fase seguinte, com 24×7, mais dados, redundância, suporte a clientes e expansão da equipa, a faixa pode subir rapidamente.

O segundo bloco de capital

Depois da instalação e dos primeiros pilotos, considero prudente planear um segundo bloco de financiamento que possa levar o envelope acumulado para aproximadamente €30 milhões.

Esse capital deverá financiar escala, redundância geográfica, 24×7, licenças de dados mais profundas, certificação, equipa comercial/técnica e a passagem gradual de dados comprados a capacidade própria de observação.

Uma plataforma soberana que vê o mundo apenas através de terceiros continua dependente de terceiros.

A primeira Ariadne deverá comprar e integrar dados de terceiros porque é a única forma racional de começar. A estratégia de longo prazo, porém, deve incorporar progressivamente capacidade própria de recolha, sempre dentro do enquadramento jurídico aplicável e da missão legítima de cada cliente.

Edge

Sensores e processamento local

Gateways próprios para IoT, CCTV autorizado, sensores ambientais, industrial telemetry e processamento de computer vision junto da fonte, reduzindo largura de banda e exposição de dados brutos.

Observação

Radar, RF e sistemas ópticos

Desenvolver ou operar, em fases posteriores, estações de radar, recepção RF, sensores ópticos e outros sistemas de observação, através de licenças, parcerias ou infraestruturas próprias.

Espaço

Capacidade espacial progressiva

Começar por parceiros e tasking comercial; evoluir, se fizer sentido económico e estratégico, para recepção directa, payloads partilhados ou activos espaciais próprios.

Primeiro o cérebro. Depois os olhos e os ouvidos.

Comprar sensores antes de existir uma arquitectura capaz de os integrar produz ilhas de dados. Construir primeiro a plataforma permite que cada sensor futuro seja imediatamente mais útil, porque nasce dentro de um sistema que já conhece entidades, tempo, espaço, proveniência, permissões e fluxos de trabalho.

Três fases. Uma arquitectura. Nenhuma reescrita total entre elas.

Fase 1

Capacidade interna e pilotos

Malha de dados, ontologia, K3 local, gateway de modelos, agentes, segurança, processamento periférico básico e implantação dedicada. Uso interno, demonstrações e primeiros pilotos reais.

0–9 meses
Fase 2

Produto e escala controlada

Alta disponibilidade, plano de controlo, gestão multi-inquilino, automatização de implantação, SSO/SCIM, chaves geridas pelo cliente, suporte, medição de utilização e novos conectores.

9–18 meses
Fase 3

SaaS, sovereign e sensores próprios

Distribuição multi-inquilino onde fizer sentido, planos de dados dedicados para clientes empresariais e governamentais, implantação local ou fisicamente isolada madura e expansão da capacidade de observação própria.

18–36+ meses

O que construiria a Europa se tivesse de operar sozinha amanhã?

Ariadne é uma tentativa concreta de responder a essa pergunta. A tese não parte da ideia de que a Europa deve cortar relações com aliados ou fornecedores estrangeiros. Parte de uma premissa mais simples: uma capacidade estratégica que desaparece quando um terceiro deixa de a fornecer não é verdadeiramente uma capacidade estratégica.

Porque pode existir aqui uma empresa relevante

Governos e grandes organizações estão a acumular mais dados, mais sensores e mais sistemas, ao mesmo tempo que a IA reduz radicalmente o custo de analisar essa complexidade. A procura deixa de ser apenas por dashboards. Passa a ser por sistemas que consigam integrar realidade operacional, evidência e decisão.

Mercado institucionalDefesa, segurança, infraestruturas críticas, indústria, logística, energia e administração pública.
Barreira competitiva acumulativaConectores, ontologia, histórico, fluxos de trabalho, dados licenciados e conhecimento de implantação tornam-se progressivamente difíceis de reproduzir.
SoberaniaDedicado, soberano e fisicamente isolado não são variantes comerciais; fazem parte da arquitectura de base.
Flexibilidade de modelosKimi, modelos europeus futuros e APIs comerciais podem coexistir sem tornar o produto dependente de um único fornecedor.

Que tipo de capital procuro

Capital paciente, tecnicamente informado e capaz de aceitar que a construção de infraestrutura não obedece ao ciclo de uma aplicação de consumo. O primeiro objectivo é construir uma plataforma que funcione; o segundo é provar que organizações exigentes estão dispostas a depender dela.

  • Investidores capazes de financiar 24–36 meses sem impor crescimento artificial.
  • Parceiros com experiência em administração pública, defesa, infraestruturas críticas ou tecnologia avançada.
  • Capital que aceite investimento material em segurança, conformidade, dados e hardware.
  • Pessoas que possam contribuir para a execução e não apenas para a narrativa financeira.
Objectivo indicativo: €15 milhões para fundação e primeiros pilotos; capacidade para duplicar o financiamento acumulado para cerca de €30 milhões quando a infraestrutura provar que merece ser escalada.

A sede será em Portugal. A ambição não terá fronteiras administrativas.

A empresa deverá nascer com sede em Portugal. Poderá constituir subsidiárias, estabelecimentos ou estruturas noutras jurisdições quando existam razões operacionais, comerciais, regulatórias, de segurança ou de soberania dos clientes que o justifiquem.

Alinhamento económico do fundador 30% participação potencial em base totalmente diluída através de opção; preço de exercício global proposto: €1.

Direcção e remuneração

Eu dirigirei a empresa e assumirei a responsabilidade de levar a Ariadne do protótipo à plataforma operacional. Enquanto este princípio se mantiver, a minha remuneração fixa será limitada à retribuição mínima mensal garantida aplicável em Portugal continental, actualmente €920 brutos por mês em 2026, sem prejuízo das actualizações legais futuras.

A componente económica principal deverá resultar de um plano de opções que me confira o direito de adquirir, pelo preço global de exercício de €1, uma participação correspondente a 30% do capital em base totalmente diluída. A implementação concreta dependerá da forma societária, fiscalidade, aquisição gradual de direitos, acordos de accionistas e aconselhamento jurídico.

O princípio é simples: o fundador não deve retirar caixa relevante enquanto a empresa ainda precisa dele para construir infraestrutura. O retorno do fundador deve depender sobretudo da criação de valor de longo prazo.

Procuro pessoas que queiram construir isto. Não procuro uma audiência.

Tenho interesse em falar com investidores, engenheiros, especialistas de dados, segurança, sistemas, defesa, sensores, geoespacial e pessoas capazes de abrir portas institucionais ou técnicas. O critério não é entusiasmo. É capacidade de executar, capital paciente e confiança pessoal.

Rede directaSe já fazemos parte da mesma rede pessoal ou profissional, podes contactar-me directamente.
IntroduçãoSe não nos conhecemos, o contacto deverá ser feito por alguém da minha rede que conheça ambas as partes e esteja disposto a fazer a introdução.
Sem contactos a frioMensagens comerciais genéricas, intermediários sem mandato, fornecedores a vender serviços e contactos espúrios não terão resposta.

Imprensa e exposição mediática: não procuro entrevistas, televisão, câmaras, podcasts promocionais ou notoriedade associada a este projecto. O tempo disponível será gasto a construir a plataforma e a falar com pessoas que possam efectivamente contribuir para ela.